terça-feira, 29 de outubro de 2013

Paperman, o lindo curta metragem da Disney


Vi esse curta metragem da Disney quando estava voltando da Itália, no vôo da TAP de Lisboa para o Rio de Janeiro.



É lindo, emocionante, poético e, sem palavras, faz pensar na vida... E curtinho... Te convido a se dar esses seis minutos...

Para assistir clique aqui .






domingo, 27 de outubro de 2013

Mousse italiana Mr. Brown Chocolate



Saí da Itália, mas a Itália não sai de mim... Sexta fui visitar uma amiga queridíssima e ela preparou bruschettas pra nós... E no mesmo dia provei a mousse italiana da Mr. Brown.

             


             


É pra quem realmente gosta de chocolate...

A mousse vem bem gelada, com consistência de sorvete. É necessário deixá-la degelando por uns dez minutos, para que comece a se tornar uma mousse densa deliciosa.

Eu não sou parâmetro, porque gosto de doce de arder a goela, e pra mim a mousse é mais forte no chocolate do que doce. Então vai lá, experimenta e me diz.

O pote sai por R$ 6.

Aliás, me agradou muito o fato de vir com a colher presa no lado interno da tampa. Prático e criativo.

            


            


A Mr. Brown fica na Av. Carlos Gomes, 788, Porto Alegre.

Pra quem quiser saber mais, já falei sobre os chocolates aqui .

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Diário de Viagem - Itália - Saudade

E o que fazer com a saudade quando voltamos? Saudade dos lugares vivenciados, saudades de pessoas que encontramos no nosso destino e que provavelmente jamais venhamos a reencontrar, saudades dos companheiros de viagem, saudades até dos momentos que não conseguimos viver, pelo atropelo das horas...

Já tinha escolhido um companheiro de viagem, que ficou meio de lado na Itália e que sabia que me faria reviver bons momentos: Horas Italianas, de Henry James. Apreciando muito...

"Viajar é, por assim dizer, ir ao teatro, assistir a um espetáculo; e há algo impiedoso em andar por ruas estrangeiras a fim de se deleitar com o 'caráter' quando o caráter consiste simplesmente nas maneiras ligeiramente diferentes como o trabalho e a necessidade se apresentam. Essas reflexões me vieram enquanto eu andava por um crepúsculo cheio de cores e carregado de deteriorados odores, mas depois de algum tempo deixaram de me fazer companhia. A razão disso, penso eu, é que - pelo menos para olhos estrangeiros - a soma da miséria italiana é, no todo, menos que a soma do conhecimento italiano da vida".

"Dentro da villa havia um grande amor pela arte e uma sala de pintura cheia de obras excelentes, de modo que, se a vida humana ali professava a tranquilidade, a tranquilidade era sobretudo a do ato concentrado. Uma bela ocupação nessa bela posição, o que poderia haver de melhor? Isso foi o que há pouco eu disse invejar - um modo de vida que não recua diante de tais refinamentos de paz e bem estar. Quando o trabalho, encantado com ele mesmo, se apresenta em um lugar sem interesse ou feio, nós o estimamos, o admiramos, mas não o sentimos como sendo o ideal da boa fortuna. Quando, porém, seus devotos se movimentam como figuras em uma antiga e nobre paisagem, e suas caminhadas e contemplações são como virar páginas de história, parece-nos termos diante de nós um admirável caso de virtude tornada fácil; virtude aqui quer dizer satisfação e concentração, efetiva apreciação da rara e refinada, ainda que compósita, forma de vida. Você não precisa querer uma aceleração ou uma colisão quando a própria cena, a mera cena, compartilha com você tal riqueza de consciência."

Lindo... O livro é repleto de descrições dos lugares visitados pelo autor, bem como de vivas reflexões... Combinação irresistível... E uma linguagem maravilhosa. Gosto da sonoridade de "encarapitada" e de "promontório".

E, casualmente, um filme também me fez  matar a saudade... Pelo menos de Venezia... A Globo exibiu ontem O Turista, The Tourist, com Angelina Jolie e Johnny Depp.








Eu já amava esse filme, pelo misto de aventura e suspense e romance e locações de tirar o fôlego e um figurino indescritível da Angelina - belíssima, como de costume. Mas tudo ganhou novo significado e colorido. Ressignificar... 

Creio que vou repetir a dose, assistir a outros filmes que se passam na Itália.

Lembrei dos versos do Fogaça, "Porto Alegre me dói, não diga a ninguém, Porto Alegre me tem". Parece inacreditável, mas os lugares tem, sim, o poder para nos doer e para nos ter. Pedaços nossos que neles ficam...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Diário de Viagem - Itália - malas e perdidos

Dicas práticas em viagem: você deve evitar ser dois tipos de pessoa: o chato, que ninguém quer por perto; e o perdido no mundo, que faz todo o grupo esperá-lo.

O chato é capaz de estragar o passeio de qualquer um. É aquele que reclama de tudo. Reclama porque está frio; reclama porque está quente; reclama de
acordar cedo; reclama se não viu tudo o que podia porque não acordou cedo; reclama que tudo é velho; reclama da comida...

Seguinte: ninguém vai morrer por não comer arroz e feijão por menos de duas semanas. E se quer tirar férias e comer arroz e feijão vai viajar pelo Brasil. Se quer tirar férias e erguer as pernas pra cima, vai te internar num resort do nordeste; não num grupo que vai virar outro país de ponta a cabeça em quinze dias. Se não quer ver velharia não te soca na Europa... Raciocínio lógico...

As pessoas são curiosas mesmo... Reclamam até do que é bom... Há quem adote esse hábito e depois não consiga mais se livrar... Quantas pessoas sonham uma vida inteira em viajar pra outro país e algumas dentre as que conseguem fazê-lo não enxergam o quanto são privilegiadas... 

Já dizia um velho "deitado": em Roma, faça como os romanos. Se na Itália se come pasta, a legítima massa italiana, é o que vou comer. Afinal, quero viver o país... 

A Tâmim sabe que massa é a minha última escolha sempre. Nunca liguei muito pra massa, não. Mas na Itália comi todos os dias. Porque as refeições dos italianos são compostas de dois pratos, e o primeiro invariavelmente é pasta...

E se eu preciso comer muito, vou pegar o primeiro e o segundo pratos. Se não, tenho que saber que se quero um prato melhor servido devo escolher um segundo prato...

O que mais acho graça é que as pessoas vão para outro país, de cultura milenar, pra passar quinze dias, e acham que o país de cultura milenar é que deve se curvar à belezoca que está de passagem por quinze dias...

Outra coisa: pessoa, viagem de grupo pra conhecer tudo quanto é coisa é viagem pra pernear. E você está pagando em euro. Como disse uma colega de grupo, a sábia D. Aracy, "dormir em euro é muito caro". Vai revirar tudo o que o tempo deixar...

Mas como me disse minha psicóloga Silvia, "mala faz parte de viagem". As malas e os malas...

Categoria perdido no mundo: não me irrita tanto quanto o mala. Porque o perdido no mundo não age deliberadamente; está perdido no mundo.

Só que o perdido no mundo atrai a antipatia de todo o grupo, já que está sempre atrasado e nunca presta atenção nas instruções do guia; logo, volta e meia o grupo todo está à espera da pessoa alienada... Sem contar o risco de ser deixado pra trás...

Efeito colateral útil dos chatos e dos perdidos: aprimorar a virtude da paciência... Pela qual não sou exatamente conhecida...

sábado, 12 de outubro de 2013

Diário de Viagem - Itália - parte 9

Quando era adolescente gostava de subir no último andar lá de casa para ficar olhando a linha do horizonte, imaginando o que havia para lá de onde a vista alcançava.

Já naquela época sentia um anseio irrefreável de ganhar o mundo. Se vivesse na Antiguidade certamente quereria me juntar aos argonautas; ou aos grandes descobridores da Renascença. Que bom que hoje todos podemos empreender viagens de descoberta.

Acredito que, acima de tudo, ser italiano é um estado de espírito. Se você fala com as mãos e gritando, é meio caminho andado...

Essa viagem à Itália representou e representa muita coisa. A realização de um antigo sonho, por certo. Mas viajar é alimentar a alma, é abastecer o espírito. Impossível não se renovar.

Significou muito pra mim que muitas vezes tenham me confundido com uma autêntica italiana. Não porque não ame ser brasileira. Pelo contrário. Porém, isso ocorreu porque consegui incorporar perfeitamente o espírito daquele local que estava conhecendo, tornando-me também eu uma local. 

Além disso, viajar é um momento em que podemos ser apenas nós mesmos, bem como de nos importarmos em apenas viver o presente (thanks, teacher Anderson, pela conversation de hoje). Tempo de usar meu uniforme preferido, jeans, tênis e camiseta...

Por outro lado, viajar também viabiliza que valorizemos aquilo que temos, olhando à distância. Nossa família, nossos amigos, nossa casa, nosso trabalho... É maravilhoso ir, como é maravilhoso ter para onde e para quem voltar. Asas pra voar e raízes pra alimentar.

Nunca esqueci uma oportunidade em que conversava com meu pai sobre algum país, e ele me disse que eu teria querido nascer em outro lugar. Não, nunca quis. Viajar por outras paragens é uma necessidade vital, que preciso atender de tempos em tempos, pra acalmar e satisfazer meu espírito inquieto. É bom ver que, de certa forma, atingi meu objetivo de me tornar uma espécie de cidadã do mundo, na medida de minhas possibilidades e limitações.

Henry James, em Horas Italianas, falando sobre Veneza, diz "... o melhor de tudo é simplesmente estar ali. O único modo de você apreciar Veneza como ela merece é dar a ela a oportunidade de tocá-lo com frequência - deixar-se ficar e permanecer e voltar. O perigo é que você não se deixará ficar o suficiente". Digo que isso vale para a Itália toda, não importa se Veneto, Lazio, Toscana, Campania ou o que for. Impossível não planejar o retorno; que se for como meu reencontro com Roma, será emocionante...

A Itália é pra quem ama História, Arte, Arquitetura, Geografia, Sociologia... E a beleza... Um caldeirão cultural efervescente caótico resultante da reunião de cidades seculares de diferentes origens e que muitas vezes guerrearam entre si mesmas. Muito charmoso... Quando lá não me furto de pensar que estou pisando solo de cultura milenar, como Roma, Pompéia e Verona...

A todos que me acompanharam nesse périplo italiano, o meu agradecimento; e o convite antecipado para participarem do próximo. 

Ainda publicarei uns dois posts de cunho menos poético e mais prático e ácido...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Diário de Viagem - Itália - parte 8

Nada preparou meu coração para o que encontrei na Costa Amalfitana... É uma daquelas belezas que nos deixa embevecidos, extasiados, sem fôlego...

Aí você vê que todas aquelas fotos belíssimas desse lugar são verdadeiras mesmo. Para qualquer lado que se olhe é possível ver um cenário de cartão postal.

A Costiera Amalfitana fica no Mar Tirreno, na Península de Salerno. Ela começa em Salerno, estendendo-se até Ravello. 

Fizemos o trecho que vai de Salerno a Amalfi, passando por Positano e Praiano.

Não há como explicar a beleza que vai se descortinando ante os olhos enquanto se serpenteia na estradinha estreita pelas escarpas íngremes, primeiro descendo e depois subindo.




De ônibus não há ida e volta. Só são permitidos num sentido. A estradinha é tão estreita que há curvas em que parece que o ônibus não conseguirá vencê-las. Não raro, o próprio ônibus ou quem vem no sentido contrário tem de aguardar passagem, dada a condição da estrada. Há trechos em que galhos de árvore roçam nas janelas.



Eu estava sentada do lado direito, justamente o lado voltado para a costa. Muitas vezes parecia que o próprio ônibus avançava pelo perau. Em várias oportunidades só via a água lá embaixo.



É muito lindo ver quando começam a aparecer as primeiras casas de Positano, espalhadas pela montanha.

Paramos em um determinado ponto e continuamos a pé, adentrando a cidadela.

Há vielas tão estreitas que só passa uma pessoa. E há outras em que passa um carro.



A pé se vai descendo e descendo, passando por boas lojas do comércio local, que vendem roupas, calçados e jóias, até se chegar à praia. 

De Positano seguimos a Amalfi de barco. É muito lindo se voltar para trás e ver Positano incrustada nas montanhas enquanto o barco vai singrando as águas.



Amalfi é outra paisagem extasiante. É uma cidadezinha em que é possível se comprar produtos típicos de limão. Balas, sorvete, doces, licor, sabonetes alusivos... Enfim, tudo de limão.

Foi em Amalfi que conheci a D. Rosa, uma senhorinha que cuida de um dos banheiros públicos. É outro personagem que vai para o rol dos inesquecíveis conhecidos em viagem. A D. Rosa a principio parecia a pessoa mais rabugenta e mal humorada do mundo. Daí fui traduzir para umas gurias holandesas, acho, que ela estava oferecendo toalha de papel para que secassem as mãos. Asciugamani. E então foi quando ela veio puxar assunto, perguntando se eu falava italiano, de onde era, e os meus amigos, e contando que é responsável também pela limpeza da basílica de Amalfi, que o tempo no dia anterior estivera ruim, que tivemos sorte e por aí foi. Às vezes encontramos beleza e poesia sob as aparências mais improváveis... E às vezes as aparências mais agradáveis guardam interiores tão feios... Os sepulcros caiados... Quero treinar cada vez mais meu olho a captar tanto uns quanto outros...

A D. Rosa e a Costiera Amalfitana também ficaram com uma parte minha...






Nesse dia também fomos a Pompéia. Pompeii. Andando por aquelas ruas milenares é inevitável tentar reconstituir como era a vida naquele lugar à época de Cristo. Ruas pavimentadas, casas com dois andares, passarela de pedestres, água encanada... Vale cada segundo do passeio.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Diário de Viagem - Itália - parte 7

Chegamos a Nápoles, capital da região da Campania (Campanha) sul da Itália.

Assim como ocorre no Brasil entre as diversas regiões, diferença total na paisagem entre norte e sul aqui.

E quando chegamos a Nápoles o choque cultural foi impactante.

Nas cidades do norte não se vê um papel no chão; nenhuma pichação; todos os pontos históricos são cuidados e estão sob restauração; os motoristas de Firenze, por exemplo, vão avançando silenciosamente pelas vielas estreitas, atrás dos turistas, sem buzinar.

Em Nápoles há muita sujeira nas ruas; muita pichação nos monumentos; muitos dos quais precisam de reparo; o trânsito é o caos, com buzinaço pra todo o lado; há muita poluição visual.

Então houve meio que um choque por parte de todos os meus "chegados".

No entanto, Nápoles tem seus encantos e é uma cidade antiquíssima, do tempo dos gregos e romanos, tendo sido o porto mais importante do país durante muito tempo.

E Nápoles deu ao mundo Sophia Loren...

Não há tantos pontos turísticos. Fomos ao Castel Nuovo, uma fortaleza construída no século XIII; à Galeria Umberto I, que quer lembrar a Vittorio Emanuele de Milano, mas não guarda o mesmo esplendor das lojas grifadas; à Piazza Plebiscito, onde está o Palazzo Reale; às proximidades da praia; e à Via Toledo, a principal do comércio.

Paradoxalmente, no lugar menos agradável aos olhos foi onde comemos melhor. 

Almocei um risoto de limão com camarões que estava delicioso.



E jantamos numa pizzaria tradicionalíssima, de 1935, de uma família em que há 21 pizzaiolos. Sorbillo, www.sorbillo.it . Massa fininha, pizza maior que o prato. €50 entre sete pessoas. Filas de gente pra comer no local ou levar a pizza para casa. Indicada no Guia Visual da Folha de São Paulo.



Por falar em Guia da Folha, aproveitando a deixa, são ótimos. Usei o de Roma quando vim em 2010, e o da Itália agora. Excelentes.

Coisas interessantes: uma água nos hotéis e restaurantes sai entre €3 e €5. No supermercado custa entre €0,20 e €0,25.

Aliás, supermercado é sempre bom lugar de visitar no exterior. Fomos em um em Firenze em que comprei cremes nota 10, marca consagrada, por €18. E jogo de meias da Puma, com dois pares, por €3. Os chocolates da Lindt estavam €1.

De alguma forma, todo o caos de Nápoles a faz funcionar... Como diz meu guia aqui da viagem, Guilherme Brito, "tem gente que vê o olho e tem gente que vê a remela". Prefiro ver aquilo que Nápoles tem de bonito e melhor. E a viagem ficaria incompleta sem se ver essa realidade do sul.